Tempo de balanço
Dezembro 2009 / Já estamos no fim, e acho bom fazer um breve resumo de mais um ano deste meu banquinho virtual, presunçosamente disponível para acolher companheiros com quem partilhar minhas reflexões na hora do pôr do sol.
A abóbora
Novembro 2009 / Vejam só quanto demora para a abóbora amadurecer. Por “abóbora” entendo minha cabeça e todo o resto que a gente tem dentro de si. Há momentos em que me sinto satisfeito, pensando que estou progredindo muito no difícil caminho de cidadão consciente e responsável. Chego até a me envergonhar ao descobrir quanto atrasado eu estava antes, embora em boa companhia da maioria dos brasileiros. Depois, chega mais uma pancada e a gente acorda, abre os olhos e atrasa um bocado o relógio da autosatisfação.
Rosas vermelhas
Setembro - Outubro 2009 / Estou voltando do mercado, carregando em duas pesadas sacolas minha compra do mês. Visto que meu único carro é o GOL (Grande Ônibus Lotado), o jeito é levar tudo no lombo, que nem burrinho. Parado no semáforo demorado, olho, com certa inveja, a fila infinita dos carros em sua corrida doida. Esperar ajuda neste mundão da cidade, nem pensar.
Deixados de fora
Agosto 2009 / Vou lhes contar meu passeio de sábado passado no centro da cidade. Coisa rara para mim, ainda meio caipira, embora morando há tempo numa metrópole. Mas, como repeti, ultimamente, coisas estranhas acontecem comigo. Para mim, é sinal de que não estou disposto a morrer cedo.
Ainda tem tempo...
Julho 2009 / Então... Este “então” significa que os pensamentos que vou contar hoje são a continuação daqueles que contei no mês passado. Eu ia dizendo que estava surpreso comigo mesmo, vendo como as coisas mudam na minha cabeça e, como conseqüência, nos fatos também. Estou feliz com isso?
Surpreso comigo mesmo
Junho 2009 / Vou contar uma experiência que tive num desses dias. Pra falar a verdade, tinha decidido não contar, porque se trata de algo não tão... nobre assim. Mas, afinal, é coisa que toca a vida de todos nós.
Saindo do rebanho
Maio 2009 / “Bem vindo Wilson! Muito bem vindo!”
Minha saudação surpreendeu o amigo. “O que está acontecendo com você, Jâmpio? Você sempre me recebeu com cordialidade, mas desta vez foi acima do normal”.
Crise também no Banquinho
Março - Abril 2009 / Naquela tarde, chegando, como sempre, ao meu banquinho, esperava-me uma novidade. Havia alguém sentado numa das pontas. Estava encurvado, com a cabeça entre as mãos. Delicadamente, pra não incomodar (afinal o banquinho não é meu, apesar de minha privativa virtual!), sentei na outra ponta e fiquei imóvel, começando o meu exercício de concluir mais um dia, repensando nas coisas da vida acontecidas no dia.
O avião da crise?
Fevereiro 2009 / Como é de se esperar, meus pensamentos desses últimos meses giram sempre ao redor da tal de crise, sintonizados com os pensamentos de bilhões de pessoas no Brasil e no mundo. Giram, giram, esquentam minha cabeça, mas não chegam a lugar nenhum; também neste caso em sintonia com bilhões de pessoas no Brasil e no mundo.
Os tais de especialistas em matéria de economia se esforçam para explicar a coisa, de onde veio, como se manifesta e para onde vai. A única conclusão clara é que todos eles estão confusos e nos confundem.
Noite criança
Janeiro 2009 / Esta noite vai ser mais longa. E eu com mais tempo para pensar. Quem quiser, fique comigo.
O céu continua o mesmo. As nuvens brigando e brincando com a lua e as estrelas. Mas esta é uma noite bem diferente. Metade velha e metade criança. Chegando a meia noite, ela tira sua velha roupa surrada e logo veste a nudez de recém nascida. Noite nenhuma é uma criança como esta. Ela traz o novo ano. Tudo recomeça mais uma vez.


