Tempo de balanço
Dezembro 2009 / Já estamos no fim, e acho bom fazer um breve resumo de mais um ano deste meu banquinho virtual, presunçosamente disponível para acolher companheiros com quem partilhar minhas reflexões na hora do pôr do sol.
Não tenho condições de saber se alguém aceitou o convite e posou seu traseiro virtual neste banquinho. Esta ignorância é muito positiva, porque deixa aberta a ilusão de que alguém o tenha feito. Situação parecida com a dos apostadores nas loterias que se sentem animados até que não apareça o resultado da extração. Mas, vamos ao pequeno resumo de que falei. Praticamente, quero relembrar as etapas que percorri e que mudaram minha maneira de ver a vida e sobre ela refletir.
A primeira etapa, a mais longa em termos de tempo, foi na roça. Novidades, poucas. Sempre aquele ritmo herdado dos pais, que o herdaram de seus pais, e assim vai. Isso não significa que aquela vida fosse monótona. Muito pelo contrário, a guardo em minha memória como a mais bonita estação da minha existência.
Depois veio a dura etapa da cidade que entrou na minha vida como um furacão. Uma espécie de novo nascimento, mas sem a acolhida carinhosa do primeiro. Achavam-me perdido, confuso, espoliado de minha identidade. Número insignificante no meio de milhões de outras pessoas, competindo por um lugar e pela sobrevivência.
Às muitas custas, e, sobretudo, com a graça de Deus, consegui dar uma arrumadela na minha vida e de toda a família.
Assim, cheguei à etapa da minha aposentadoria. Até que enfim, achava tempo e lugar para pôr em ordem minhas idéias e meus sentimentos, em busca de um pouco daquela paz dos dias da roça. Foi aí que nasceu a idéia do banquinho. Mas a quiete durou pouco; ou melhor, era sempre um pouco agitada. Porque a realidade estava sempre diante dos olhos. Não conseguia fechá-los diante dessa sociedade marcada pela insensibilidade e pela concorrência, num estilo de comportamento inspirado no mais radical egoísmo, provocando grandes sofrimentos.
E aí entrei na última etapa, a mais recente e que ainda estou percorrendo. Alguém me guiou para entender coisas que estavam escondidas por trás desta realidade e que se resumiam numa só palavra: capitalismo, principal responsável da injustiça, que põe no céu uns poucos e condena ao inferno a maioria. Não sei se já é tarde, mas renunciei ao sonho de uma aposentadoria sem problemas. Vou tentar fazer algo para somar com todos aqueles que lutam para mudar este estado de coisas.
Antes de terminar, quero dizer que também minha maneira de ver a religião ficou uma bagunça da qual não consigo ainda sair. Sempre fui um católico tradicionalmente praticante. Mas, depois que comecei a enxergar a realidade de maneira nova, sinto que isso não dá mais. Infelizmente, não consigo encontrar um lugar que me possa ajudar. Não é nada fácil, depois que a religião se tornou negócio, como se vê todas as noites na TV.
Espero não cansar de procurar.
Despeço-me dos meus eventuais leitores, desejando para eles um pouco da alegria que encontrei nas mudanças de minha vida, apesar das dificuldades.
São os meus votos de Natal, do Fim de Ano e início de 2010.


