Rumo a Belém
Junho 2008 - Padova, Itália
Belém, Janeiro 2009: o Fórum Social Mundial volta para o Brasil. Passaram-se nove anos desde o primeiro Fórum Social Mundial, quatro desde o último Fórum em Porto Alegre. É inevitável que o caminho rumo ao FSM seja também uma ocasião para balancetes. Qual é hoje o sentido desse evento?
Perguntaram-se isso em Florença, nos dias 23 e 24 de maio, alguns expoentes de Euralat, uma das redes que desde sempre anima este e outros Fóruns e é protagonista de uma das iniciativas nascidas no seio do Fórum, a Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS).
Exatamente dentro desta rede de ativistas, formadores e pesquisadores, foi lançado no FSM de Nairóbi o projeto "Histórias de outros mundos possíveis": um site onde recolher, partilhar e também premiar práticas de construção de novos estilos de vida.
Dentro de alguns meses saberemos se estas histórias têm um denominador comum e se reconhecem uma com a outra dentro da Carta dos princípios do FSM.
Em nível internacional emergiram ao longo dos anos princípios que geram redes e propostas concretas: durante o quinto FSM em Porto Alegre, uma equipe de dez pesquisadores recolheu cem dessas propostas, organizadas em onze eixos principais, e reuniram-nas numa publicação traduzida em várias línguas.
Como organizar um Fórum, na base de quais critérios facilitar os espaços de troca e construção entre grupos? Não é uma questão secundária: o FSM é entendido seja como evento, seja como processo capaz de continuidade e articulação com os outros fóruns temáticos e regionais, mas sobretudo com a agenda de lutas e de iniciativas em andamento no mundo todo.
FSM como espaço de confrontação aberta ou como lugar onde estabelecer prioridades e agenda de luta? O debate fica vivo dentro do Conselho Internacional que tenta governar o FSM e se entrelaça com a escolha e definição dos prazos e sedes de encontro.
No texto apaixonado e inteligente "Educar para um Outro Mundo Possível" (Publisher, 2007), o diretor do Instituto Paulo Freire Moacir Gadotti nos lembra que para mudar precisamos criar uma outra teoria, uma outra lógica que ultrapasse a lógica do capital e do mercado, para reinventar o capital e o mercado.
O texto de Gadotti ressalta um fato importante: o avanço das chamadas esquerdas na América Latina tem a ver também com a mobilização da sociedade civil possibilitada pelo FSM.
Justamente Gadotti sublinha que "a lógica do FSM não é uma lógica de resultados: tornar o FSM mais eficiente não tem nada a ver com adotar uma proposta unificada, estabelecer metas e organizar-se como um partido político global".
Neste espírito seria importante que conseguisse impor-se em nível internacional (queira Deus mesmo antes do FSM de Belém) a proposta de Boaventura de Sousa Santos, discutida dentro do UPMS e no Fórum Mundial da Educação: praticar encontros baseados sobre a metodologia da tradução cultural, como já aconteceu em nível nacional no Peru, Argentina e Colômbia. Tradução cultural significa facilitar o encontro de línguas, movimentos, perspectivas de lutas diferentes; não para buscar um imediato ‘consenso’, mas para aprender a escutar, encontrar tempo para ‘traduzir’ o que as várias lutas consideram o próprio ‘contexto’ e as próprias específicas ‘práticas’ e ‘propostas’.
Com certeza, o espírito que anima os movimentos que participam no FSM mudou e amadureceu também graças a estas trocas entre movimentos e entre redes globais e realidades locais.
É testemunha disso o Observatório Belém, iniciativa que se propõe contribuir para um ‘espaço urbano’ dentro do FSM a partir de uma maior capacidade de análise da realidade onde o FSM acontecerá. Já o Observatório Belém estruturou instrumentos, análises e projetos para se interrogar sobre as modalidades de encontro e ação entre dimensão internacional e ações locais (habitants.org). O espírito está bem resumido nas últimas páginas do texto de Gadotti: "Devemos defender intransigentemente a autonomia e a auto-organização, portanto o horizontalismo na construção dos Fóruns. Isso implica avançar mais na questão do método".
Todos, até 6 de Junho, são convidados a participar da consulta do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial dirigida a todas as organizações, redes e movimentos participantes, quanto aos objetivos de suas ações, campanhas e lutas.
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Verso Belem
Belem, gennaio 2004, il Forum Sociale Mondiale torna in Brasile. Sono passati nove anni dal primo Forum Sociale Mondiale, quattro dall’ultimo Forum Sociale Mondiale a Porto Alegre. E’ inevitabile che il cammino verso il FSM sia anche un’occasione di bilanci. Qual è oggi il senso del FSM? Se lo chiedono a Firenze il 23 e 24 maggio alcuni esponenti di Euralat, una delle reti che da sempre anima questo ed altri Forum ed è protagonista di una delle iniziative nate in seno al Forum, l’Università Popolare dei Movimenti Sociali (UPMS). Proprio in seno a questa rete di attivisti, formatori e ricercatori è stato lanciato nel FSM di Nairobi il progetto “Storie di altri mondi possibili”: un sito web gestito dall’Upter di Roma e da OpenContent in cui raccogliere, condividere e anche premiare pratiche di costruzione di nuovi stili di vita. Fra qualche mese sapremo se queste storie rivelano tratti che spieghino meglio il loro denominatore comune: il riconoscersi nella Carta dei principi del FSM. A livello internazionale si sono rivelati principi che generano reti e proposte concrete: un’equipe di dieci ricercatori ne aveva raccolte cento, organizzate in undici assi principali, durante il quinto FSM a Porto Alegre, riunite in una pubblicazione tradotta in varie lingue. Non è una questione secondaria il come organizziamo, in base a quali criteri facilitiamo gli spazi di scambio e costruzione in seno al FSM, inteso sia come evento, sia come processo capace di una sua continuità ed articolazione con gli altri forum tematici e regionali, ma soprattutto con l’agenda di lotte e di iniziative in corso in tutto il mondo.
FSM come spazio di confronto aperto o come luogo dove stabilire priorità e agenda di lotta? Il dibattito rimane vivo in seno al Consiglio Internazionale che tenta di governare il FSM e si interseca con la scelta e definizione delle scadenze e sedi di incontro. Nel testo appassionato e intelligente “Educar para um Outro Mundo Possivel” (Publisher, 2007), il direttore dell’Instituto Paulo Freire Moacir Gadotti ci ricorda che per cambiare abbiamo bisogno di creare un’altra teoria, un’altra logica che vada oltre la logica del capitale e del mercato per reinventare il capitale e il mercato. Il testo di Gadotti ci ricorda un fatto importante: o avanço das chamadas esquerdas na América Latina tem a ver também com a mobilizaçao da sociedade civil possibilitada (facilitada) pelo FSM. Giustamente Gadotti sottolinea che “a logica do FSM nao é uma logica de resultados: tornar o FSM mais eficiente nao tem nada a ver com adotar uma proposta unificada, estabelecer metas e organizar-se como um partido politico global”. In questo spirito sarebbe importante che riuscisse a prendere corpo a livello internazionale (magari proprio prima del FSM di Belem) la proposta di Boaventura de Sousa Santos, discussa in seno all’UPMS e al Forum Mondiale dell’Educazione, di praticare incontri basati sulla metodologia della traduzione culturale, come già avvenuto a livello nazionale in Perù, Argentina e Colombia: facilitare l’incontro di lingue, movimenti, prospettive di lotta diverse non per cercare un’immediato “consenso”, ma per imparare ad ascoltare e a prendersi il tempo di “tradurre” ciò che le varie lotte considerano il proprio “contesto” e le proprie specifiche “pratiche” e “proposte”.
Di sicuro lo spirito che anima i movimenti che partecipano al FSM è mutato e maturato anche grazie a questi scambi fra movimenti e frra reti globali e realtà locali. Ne è testimonianza l’Osservatorio Belem, l’iniziativa che si propone di contribuire ad uno “spazio urbano” all’interno del FSM a partire da una maggiore capacità di analisi della realtà in cui il FSM avrà luogo, avendo già strutturato strumenti e iniziative di analisi e proposte progettuali capaci di interrogarsi sulle modalità di incontro ed azione fra dimensione internazionale e azioni locali (habitants.org). Lo spirito è ben riassunto nelle ultime pagine del testo di Gadotti: “devemos defender intransigentemente a autonomia e a auto-organizaçao, portanto, o horizontalismo na construçao dos Foruns. Isso implica avançar mais na questao do método”. Tutti, fino al 6 di giugno, sono invitati a partecipare alla consulta do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial dirigida a todas as organizações, redes e movimentos participantes, quanto aos objetivos de suas ações, campanhas e lutas.


