Apostar nas juventudes
A chaga social do extermínio dos jovens é difícil de ser ignorada, mesmo com a exagerada ênfase dada às questões de política econômica (PAC, medidas anticrise e outras). Tratar dessa sangria demográfica é fundamental para garantir a saúde e a sustentabilidade social deste país nos anos vindouros! Por que custa tanto reconhecer que apostar nas juventudes é uma questão estratégica para a nação brasileira?
Continua pendente de aprovação definitiva, por parte do Congresso, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 20/1999, que reduz a maioridade penal. Continua também pendente a aprovação da PEC 042/2008 (da Juventude), quase desconhecida e pouco interessante porque menos imediatista desde o ponto de vista midiático e eleitoreiro.
Seja como for, é evidente a falta de uma opção mais clara e de um investimento mais efetivo nas juventudes. Nesse sentido, passar das análises e das boas intenções para a ação é uma questão também ainda a ser resolvida.
Com relação à PEC da maioridade penal, apesar do tendencioso tratamento que boa parte da mídia dá às infrações e aos crimes cometidos por menores de idade, o alerta vermelho voltou a acender-se recentemente, chamando a atenção sobre o verdadeiro foco da questão: as nossas juventudes estão sendo dizimadas! Dados divulgados no passado mês de junho são de arrepiar. Segundo o relatório deste ano do Programa de Redução da Violência Letal (PRVL), se continuarmos nesse ritmo, pelo menos trinta mil adolescentes por ano serão vítimas de homicídio, nos próximos anos.
Mesmo reconhecendo a clara postura do executivo, que se mostra contrário à aprovação da redução da maioridade penal e aposta (de forma ainda bastante teórica ou fragmentária) em políticas públicas para as juventudes, como alternativa à criminalização dos adolescentes, de continuar com essa lentidão de tartaruga na elaboração e execução de políticas públicas para o setor juvenil, o atual governo está colocando em risco boa parte das conquistas alcançadas nos últimos anos na área social.
A chaga social do extermínio dos jovens é difícil de ser ignorada, mesmo com a exagerada ênfase dada às questões de política econômica (PAC e medidas anticrise). Tratar dessa sangria demográfica é fundamental para garantir a saúde e a sustentabilidade social deste país nos anos vindouros!
Algumas perguntas pairam no ar: por que custa tanto reconhecer que apostar nas juventudes é uma questão estratégica para a nação brasileira? Quando o Brasil cuidará realmente de seus jovens? Quando não os tiver mais?
Nesses últimos anos a ONU tem insistido, justamente, em recolocar o foco das políticas públicas num maior investimento nas juventudes como garantia de uma sustentabilidade compreendida num sentido mais abrangente que o simples crescimento econômico ou a preservação ecológica.
Negligenciar o atual “bonus” demográfico brasileiro que são as juventudes é “dar-se um tiro no pé”: numa de suas alocuções, o anterior Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, já alertava sobre a importância de apostar nas juventudes: “ninguém nasce sendo já um bom cidadão; nenhuma nação nasce sendo já uma democracia. Mais bem, ambos os processos implicam toda uma vida. Os jovens precisam ser incluídos desde o seu nascimento. A sociedade que tolhe de si mesma a sua juventude encurta sua própria perspectiva de vida!”
Combonianos Nordeste, agosto de 2009, por ocasião do Dia Internacional da Juventude.


